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EBITDA: Por que é preciso calcular?

No contexto empresarial, e, mais especificamente, no contexto de pequenas e médias empresas, frequentemente encontramos empresários que enxergam o financeiro como uma burocracia e não como uma ótima ferramenta para a tomada de decisões estratégicas para potencializar os seus negócios. 

É muito comum encontrarmos empresas que façam análises financeiras relacionadas somente à saldo de conta e não saibam da importância do cálculo do EBITDA na gestão da empresa. Noventa e três por cento dos clientes da 4CINCO não sabia o seu lucro antes de começar o trabalho conosco. Por isso, esse artigo visa a contar um pouco sobre o conceito do EBITDA, mostrar a importância de acompanhar esse indicador, apresentar a forma de cálculo e explicar como interpretar os resultados para uma tomada de decisão estratégica.

O que é o EBITDA?

O EBITDA (Earnings before interest, taxes, depreciation and amortization, em inglês) ou LAJIDA (Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na tradução para português) é o Lucro Operacional da empresa. Nesse sentido, ele é um indicador financeiro muito importante, pois não considera no cálculo tudo aquilo que não diz respeito à operação. Exemplos disso são juros, amortizações e receitas financeiras, pois estas movimentações estão relacionadas às tomadas de decisão financeiras, e não refletem a operação do core da empresa.

Para que serve o EBITDA?

Com o EBITDA, é possível descobrir se a operação da empresa está sendo rentável ou não. Além disso, o EBITDA é um importante “validador” do modelo de negócio da empresa, considerando que a operação precisa ser rentável para ele fazer sentido. 

Vale lembrar que podemos considerar o modelo de negócio uma grande engrenagem, composta por atividades, recursos, proposta de valor, segmento de clientes, etc. Sendo assim, em caso de EBITDA negativo, precisa-se analisar e tomar alguma decisão de mudança relacionada a algum desses pontos da engrenagem.

Além disso, o EBITDA é um dos importantes indicadores de comparação para entender o trade-off entre colocar o dinheiro no seu negócio ou investir no mercado financeiro, por exemplo. Entendendo que pode-se conseguir bons investimentos no Brasil, costuma-se dizer que a rentabilidade da operação precisa estar consideravelmente acima da SELIC para precificar os riscos envolvendo a empresa.

Como calcular o EBITDA?

Para as empresas calcularem o seu EBITDA, antes de tudo elas devem garantir que a sua estrutura financeira seja capaz de gerar as informações corretas. Isso levando em consideração que o EBITDA é uma informação do regime de competência, e não de caixa. Em suma, o EBITDA não é o quanto “sobra na conta no final do mês”, mas sim o quanto a empresa gerou de lucro no determinado mês.

Portanto, para garantir que a estrutura financeira gere as informações corretas e necessárias, é necessário avaliar se ela contempla os quatro pilares mais importantes: (1) registros, (2) plano de contas, (3) processos e (4) análises. No pilar do registro, a empresa deve ter o registro da data de competência (data do fato gerador) e da data de caixa (data que ocorreu a movimentação bancária) de cada lançamento. 

Segue abaixo um exemplo de Demonstrativo do Resultado do Exercício, no qual foi calculado o EBITDA e a MARGEM DO EBITDA:

Tabela
Descrição gerada automaticamente

-Margem EBITDA = EBITDA / Receita Bruta * 100 (informações do DRE)

-Nesse exemplo, a Margem EBITDA = (R$9.600/R$70.000)*100 = 13,71%

 Cálculo EBITDA: como interpretar?

É mais comum utilizarmos a Margem do EBITDA do que o próprio EBITDA para fazer análises. Isso acontece porque temos muitas referências de margens de EBITDA para cada tipo de negócio. Dessa maneira, podemos fazer dois tipos de análises diferentes para tomar decisões:

1) Comparação com a Margem do EBITDA de meses ou anos anteriores – para saber se as minhas ações estão fazendo sentido para que a empresa seja mais rentável;

2) Comparação com referência de Margem de EBITDA de empresas do mesmo setor – para podermos entender qual é o gap entre o nosso resultado e o resultado de empresas do mesmo setor.

Dessa forma, tanto o EBITDA quanto outros indicadores são o coração da gestão e da tomada de decisão. Eles são os números que nos indicarão se estamos no caminho correto para atingir nossos objetivos e nos apoiarão para agirmos também de forma estratégica. Para saber mais sobre a tomada de decisão relacionada aos indicadores, confira o nosso texto Indicadores: o coração da gestão e da tomada de decisão.

Pontos de atenção na análise do EBITDA

Vale citar que, apesar do EBITDA ser um indicador muito importante para uma tomada de decisão da empresa, ele não deve ser o único indicador a ser analisado. A análise de caixa deve ser feita em paralelo. Nesse sentido, é importante destacar que há empresas rentáveis, que quebram por fluxo.

EBITDA e margem líquida: saiba a diferença

A Margem Líquida da empresa é a porcentagem de lucro líquido obtido pela empresa em relação à receita total. Ao contrário do EBITDA, a Margem Líquida considera as rubricas que não fazem parte da operação. Juros, amortizações e receitas financeiras passam a ser considerados no caso do cálculo da margem líquida. Sendo assim, para análises mais aprofundadas, é essencial calcular esse indicador e analisar de forma conjunta com o EBITDA.

Conforme citado em artigo da sócia e co-fundadora da 4CINCO, Jéssica Ungaretti, o EBITDA pode ser positivo e a margem líquida negativa, e vice-versa. Nesse sentido, seguem exemplos de quando isso pode acontecer:

EBITDA positivo X Margem Líquida negativa: 

Pode significar, por exemplo, que o negócio foi mal alavancado, que os juros estão muitos altos, e que existem muitas despesas comprometidas com financiamentos. Porém, todas essas alternativas dizem respeito a uma decisão exclusivamente financeira. Nesse sentido, será necessário, por exemplo, renegociar juros ou alongar a dívida.

EBITDA negativo X Margem Líquida positiva: 

Aqui os problemas são muito mais estruturais, pois a operação em si não é rentável. Neste caso, quanto mais tempo a empresa operar nesse formato, pior a situação fica. Certamente aqui as ações para corrigir uma operação negativa são muito mais “trabalhosas” e a “longo prazo” do que mudar decisões exclusivamente financeiras. 

Além disso, essa situação pode ser um retrato de que o seu dinheiro está bem aplicado. Portanto, faz mais sentido ele permanecer em fundos do mercado financeiro do que ser investido na empresa.

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