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Gestão é a nossa causa.

CLUBE DE GESTÃO: ANÁLISE MACROECONÔMICA

Entender o cenário macroeconômico passou a ser uma pauta indispensável na rotina dos empresários e empreendedores. Não só entender o contexto, mas conseguir enxergar os desdobramentos disso no horizonte de médio e longo prazo, são pontos cruciais para a construção dos planejamentos futuros das empresas.

Para facilitar o acesso a esse conhecimento convidamos o economista – e especialista no assunto – Fábio Pesavento, professor de economia na ESPM-Sul. Para Fábio, há três pilares fundamentais para essa análise:

  1. Os gastos do governo;
  2. O consumo das famílias e;
  3. O investimento das empresas.

Abaixo seguem algumas dicas e insights dessa conversa:

#1 GASTOS DO GOVERNO

Aumento de gastos e dívida pública

Há mais de seis anos nosso país tem gerado gastos maiores que sua arrecadação – o que gera, como consequência, um aumento na dívida interna. Até agora o governo tem conseguido refinanciar a sua própria dívida, mas entende-se que a pandemia tem sido um importante complicador para que isso não aconteça de maneira saudável.

Atualmente, o endividamento do Brasil se encontra na faixa dos 70% do PIB (com aumento significativo nos últimos anos) – o que, na visão do Fábio, não necessariamente evidencia um problema. Nesse sentido, as políticas de incentivo, incluindo o auxílio emergencial disponibilizado pela pandemia, estimulam que essa dívida aumente em uma velocidade ainda maior. Ocorre que com a economia deficitária, e a dívida podendo chegar a 90%-100% do PIB, as opções e decisões de políticas para a retomada acabam sendo drasticamente limitadas.

Ainda assim, estamos vivendo um corte histórico da nossa taxa referencial de juros (a Taxa Selic) – justamente na esperança de “colocar o dinheiro para circular” e dar folego para as nossas empresas. Essa ação não traz, necessariamente, somente boas consequências. Nosso país torna-se menos atrativo para investidores (relação de risco e retorno), o que faz com que menos capital externo entre no país.

Todas essas decisões e medidas estão muito conexas. Nosso convidado também acredita em uma conjuntura a médio prazo de novo aumento na taxa juros como forma de sustentar um equilíbrio fiscal e um refinanciamento da dívida por parte do governo.

#2 CONSUMO DAS FAMÍLIAS

Consumo das famílias reduzido e aumento do endividamento no atual cenário

            Para entender esse aspecto três fatores precisam ser analisados: renda, crédito e confiança.

Naturalmente, a pandemia gerou uma crise de confiança muito grande na cadeia como um todo: fornecedor que não quer pagar à vista, empresas que não pagam seus fornecedores, consumidores que não gastam o seu dinheiro devido as inúmeras incertezas sobre a permanência no seu emprego.

            A crise de confiança provoca a quebra do consumo e também desemprego, fazendo com que a renda das pessoas seja relativamente diminuída – seja pela perda do emprego, seja pelas suspensões e diminuições de salários. A consequência, espontaneamente, é o aumento do endividamento das famílias – que passou de 25% em 2007, para os atuais 45%.

            As concessões de crédito, embora os esforços do governo, são reduzidas – afinal, o risco aumentou. Sem essa liberação, empresas e famílias também consomem menos, acabam tendo que se endividar, e isso gera uma queda importante no PIB.

#3 INVESTIMENTO DAS EMPRESAS

Baixa perspectiva de investimento das empresas no curto prazo

Em relação ao investimento das empresas, analisamos dois indicadores: expectativa de demanda e a capacidade instalada. Esse aspecto tem grande importância na retomada da economia pelo aumento desses investimentos contribuírem de maneira direta para o aumento dos empregos – e, assim, injetando dinheiro na economia e estimulando que seus colaboradores façam o mesmo.

            A expectativa de demanda está em queda, o que faz com que as empresas não façam grandes investimentos ou pensem em ampliar os seus negócios e sim, acabem interrompendo o crescimento e reduzindo suas operações.

            Quanto a capacidade instalada, depois da queda que tivemos em 2014, não conseguimos recuperar as perdas e, atualmente, nossa média gira em torno de 70%-75%. Com o atual cenário encontramos os negócios com estoques cheios e expectativa de demanda baixa – isso faz com que os empresários não tenham motivações para realizar investimentos em seus negócios e assim temos mais um problema para a injeção de dinheiro na economia brasileira.

#4 COMO SÃO OS CENÁRIOS PARA A RECUPERAÇÃO

Recuperação em W nos próximos anos

            Por fim, o Fábio trouxe uma aposta de como serão os próximos meses. Uma recuperação em W parece ser a mais provável, pensando que em 2020 teremos uma queda em média de 5% DO PIB (e não 10% como algumas notícias ter circulado), em 2021 um crescimento próximo a 2% ou 3%, seguido de uma nova queda em 2022 – resultado, principalmente, da nossa má atuação em implementação de reformas. Em 2023, no entanto, Fábio prevê um novo crescimento resultado de uma recuperação também da confiança de todo o mercado.    

            Ainda que Fábio tenha ressaltado que estamos em um momento extremamente desafiador de crise, também teremos novas oportunidades para explorar. O ciclo da economia, por mais desordenado e de más perspectivas que estamos vendo, irá trazer um novo cenário de estímulo ao empreendedorismo no Brasil. A gestão, neste caso, torna-se protagonista para que as empresas consigam não só se adaptar a tudo isso, mas também encontrar novas formas de se reinventar e ampliar os seus negócios. 

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