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NECESSIDADE DE CAIXA: COMO FAZER A GESTÃO NO DIA A DIA

Muitas vezes a leitura sobre o resultado da empresa é míope em relação a sua necessidade de caixa. Um bom resultado econômico (EBITDA) não elimina as empresas de terem uma boa gestão de fluxo de caixa. Às vezes até o contrário!

O gerenciamento do fluxo olha basicamente para o capital de giro necessário (compreendendo o contexto de curto prazo) – que nada mais é do que o montante mínimo que uma empresa precisa ter para garantir que sua operação funcione (workflow). Para entender a necessidade de giro é preciso analisar variáveis como prazo médio de recebimento, prazo médio de pagamento de fornecedores e prazo médio de estoque (no caso de produtos), que são representadas por três grandes diretrizes:

– Comercial:

Políticas de prazos concedidos a clientes e previsão de vendas futuras. O prazo de recebimento determina o ciclo financeiro; e a vendas futuras determinam as necessidades de compras de insumos;

– Compras e Estoque:

Política de pagamento de fornecedores (também determinante no ciclo financeiro) e as necessidades mínimas de estoque (não pode-se ter mais estoque do que precisa, e ao mesmo tempo tem que se ter estoque o suficiente para não perder nenhuma venda!);

– Produção:

Quanto maior o tempo de produção, a tendência é que se tenha maior necessidade de giro. Porém, essa é uma variável que muda muito de acordo com o segmento. Importante é entender quantos dias o estoque permanece parado (cobertura de estoque) e se há alguma oportunidade de diminuir esse ciclo.

Um dos desdobramentos dessas variáveis está no balanço da empresa no que se refere ao ativo e passivo vinculado a operação, ou seja:

– Ativo Circulante:

É dividido entre ativo financeiro (banco) e ativo operacional (estoque e contas a receber);

– Passivo Circulante:

Passivo financeiro (juros) e passivo operacional (fornecedores, salários a pagar, impostos e obrigações gerais a pagar).

Nesse entendimento, o passivo operacional são as fontes de financiamento que a empresa possui pela execução da sua atividade e a sua necessidade de caixa contabilizada pelo ativo operacional. A NCG (necessidade de capital de giro) nada mais é do o ativo operacional menos passivo operacional.

Porém, na gestão do dia a dia, as principais variáveis que influenciam esse desdobramento são o prazo médio de estoque, prazo médio de pagamento de fornecedores e prazo médio de recebimento. Nesse sentido, pode-se controlar o ciclo financeiro pela seguinte premissa: prazo médio de estoque + prazo médio de fornecedores – prazo médio de recebimento. O aumento ou diminuição do número de dias do ciclo está diretamente ligada à necessidade de capital de giro – a lógica, portanto, é que se temos que pagar insumos com uma prazo muito maior do que vamos receber dos pedidos de vendas, vamos estar “pagando adiantado” e por isso a necessidade é diretamente maior.

Claro que as naturezas dos segmentos fazem com que cada empresa tenha suas particularidades de necessidades de giro, até mesmo em função de possíveis sazonalidades. Nesse contexto, fica ainda mais evidente a importância da gestão de caixa. Além da necessidade de se acompanhar diariamente os indicadores que refletem nessa decisão, a gestão adequada dos recursos é essencial para melhor aproveitamento de fontes de financiamento desse capital.

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